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(S)em Sentido

Nem tudo o que parece é, fica para ver...

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Nem tudo o que parece é, fica para ver...

23.Ago.18

Porque Há Amizades Para Sempre

Claudia de Almeida

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(Paris, Louvre, fevereiro de 2015)

Conheço o Remi desde que me conheço como gente, crescemos juntos, lado a lado, não andamos na mesma escola, não, mas partilhamos as mesmas salas de catequese, íamos juntos e regressávamos juntos a casa, durante muitos anos foi assim.  Quando o Remi foi para França, fiquei sem o meu melhor amigo, achei inocente que aquela partida seria temporária, aliás, na minha mente dali a cinco ou seis anos o Remi estaria de volta, para disfrutarmos a adolescência e a idade adulta, mas não foi assim, o Remi foi ficando por terras gaulesas e eu fui ficando por Portugal sem, contudo, nos termos separado mais do que fisicamente, continuamos ao longo dos anos a manter-nos como “melhores amigos”.

O Remi é das poucas pessoas que me conhece sem filtro, que atura as minhas neuras, que cansado de um dia de trabalho ainda arranja tempo e energia para me levar a conhecer Paris, que tem a paciência suficiente para me tirar quinhentas fotografias no Louvre e em Versailles, é o único ser humano com paciência para me ouvir dizer “quero comer McDonalds em França” e quase correr para ir buscar McDonalds comigo. O Remi é dos poucos Homens que conheci na vida com a capacidade de pedir desculpa quando sabe que está errado ou agiu erradamente, o Remi é um dos poucos verdadeiros amigos que tive e tenho na minha vida, daqueles que nos melhores momentos está lá e nos piores também: daqueles que não me abandona quando a casa está prestes a desabar.

Hoje, dia vinte e um de agosto, o “meu” avec volta novamente para França, para mais um ano de trabalho, eu fico mais um ano à espera do regresso, dos cafés, das tradicionais idas à Viagem Medieval em Terras de Santa Maria, das gargalhadas idiotas, da partilha de segredos que não tenho com mais ninguém no planeta. A despedida foi pela primeira vez carregada de lágrimas, porque desta vez, a nossa última conversa foi dura, das mais duras que tivemos na nossa amizade, mas sobretudo foi carregada de lágrimas porque mais do que nunca o Remi vai embora no momento em que eu precisava dos conselhos, dos abraços apertados, no momento em que precisava de alguém que me limpasse as lágrimas e me dissesse “nada de chorar pá…”. 

Hoje começa uma nova contagem no calendário, talvez a mais dura de sempre.

Até já melhor amigo!