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(S)em Sentido

Nem tudo o que parece é, fica para ver...

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29.Out.18

O novo inquilino do Planalto: Devemos estar assustados?

Claudia de Almeida

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 Fonte: https://theintercept.com/2018/10/25/brazil-election-jair-bolsonaro-us-investors/

 

 

A eleição de Jair Bolsonaro no Brasil é para muitos o verdadeiro pronuncio da desgraça, mas será o início do fim da democracia no Brasil como a conhecemos? O Brasil é um daqueles Estados soberanos que me fascinam, pela história, pela cultura, pela forma como souberam desde cedo vincar a ideia de que não estavam na disposição de ser mais a colónia do Portugal monárquico. Entender o Brasil requer, portanto, um mergulho na história do país: desde a instauração do modelo presidencialista em 1889, logo, o desaparecimento da monarquia parlamentar e do imperialismo de D. Pedro II, passando pela ditadura militar (1964-1985) e claro, o impeachment de Dilma Rousseff.

O Brasil é apesar de tudo um país complexo cuja história nos permite perceber as linhas de continuidade e de mudança política. Assim sendo, para se entender a eleição de Jair Bolsonaro é necessário perceber-se algumas nuances da política brasileira, nomeadamente o sistema de votação, mas é igualmente importante refletir-se sobre os últimos anos marcados pela crise política que conduziu Michel Temer ao Planalto.

Em primeiro lugar, salvo algumas exceções (penso eu, perdoem-me os brasileiros que saberão certamente mais que eu sobre o assunto) o voto no Brasil é compulsório, o dito voto obrigatório. Pegando nisto, os brasileiros viram-se na "obrigação" de escolher entre Bolsonaro (o alegado extremista/"fascista") e Haddad (o alegado corrupto), ou seja, os brasileiros tinham uma escolha difícil em mãos: ou escolhiam um homem cujas ideologias fazem-nos quase recuar à Alemanha nazi ou optavam por eleger um candidato que está ligado ao partido acusado de corrupção.  

Em segundo lugar, parece-me que, embora Bolsonaro se identifique de alguma forma com aquilo que defende, o candidato estudou bem o eleitorado brasileiro que pretendia cativar e levar a votar nele. O povo brasileiro viveu os últimos anos a ser bombardeado com as acusações de corrupção ligadas ao PT e, infelizmente (a meu ver) optou por uma viragem drástica que pode ditar o fim da democracia como a conhecemos no Brasil.

Se me perguntarem enquanto cidadã e eleitora em quem votaria, diria que, possivelmente em nenhum, mas vendo-me obrigada optaria pelo "corrupto" Haddad porque o "extremista" Bolsonaro poderá representar tudo aquilo que o mundo teme desde o fim da II Guerra Mundial - o regresso do fascismo puro e duro. A minha formação em Relações Internacionais e Ciência Política “aconselha-me” a esperar pelas consequências – sejam elas positivas ou negativas – desta eleição, podemos estar a caminhar a passos largos para o funeral do Brasil, tal como podemos estar prestes a ver renascer um dos países mais promissores do Sistema Internacional. Confesso que me alicia mais a ideia da Fénix renascida, tenho esperança que o discurso de Jair Bolsonaro tenha sido apenas mera propaganda política e que o Brasil esteja a caminhar no rumo certo, contudo, receio tal como todos os analistas políticos o efeito que este acontecimento terá para o Brasil, para os brasileiros, mas sobretudo para a América do Sul que já se encontra suficientemente fragilizada pelo clima político, económico e sobretudo social vivenciado na Venezuela.

Quanto aos movimentos/partidos de índole extremista: eles não existem e não crescem por obra e graça do Divino Espírito Santo – é necessário que se perceba isto de uma vez por todas – resultam em grande maioria do descontentamento dos eleitores face à democracia que conhecem, mas sobretudo resultam da identificação do eleitor para com as ideias que o político "extremista" transmite. Em Portugal não estamos imunes, desengane-se quem faz profecias positivistas relativamente à não ascensão de ideologias extremistas, nomeadamente de extrema direita – o categorizado fascismo – estamos longe é certo, pelo menos aparentemente, mas o desencanto dos portugueses pela política e pela nossa classe política pode ter consequências graves para a sobrevivência da democracia pós-25 de abril de 1974.

Os brasileiros votaram (em consciência espero eu), portanto, deixemos agora que a história nos mostre o resultado. Bolsonaro ou Haddad deveria ser indiferente, o Brasil precisa mais do que nunca de estar unido contra tudo o que prejudique o seu povo e o seu desenvolvimento – Ordem e Progresso são as palavras inscritas num dos símbolos da nação: a bandeira, palavras intemporais que deverão ser recordadas por todos os brasileiros independentemente de quem ocupa o Planalto, mas sobretudo nos próximos 4 anos.  

 

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