Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

(S)em Sentido

Nem tudo o que parece é, fica para ver...

(S)em Sentido

Nem tudo o que parece é, fica para ver...

18.Ago.18

Estado Islâmico – Estado de Terror: Valerá a pena ler?

Claudia de Almeida

Estado Islâmico - Estado de Terror

 (Fonte: https://www.wook.pt/livro/estado-islamico-j-m-berger/16392264)

 

O que hoje denominamos por Estado Islâmico do Iraque e da Síria (ISIS), por Estado Islâmico do Levante (ISIL) ou simplesmente por Daesh, nasceu em 1999 da mente de Abu Musab al-Zarqawi, um jordano transformado em terrorista, que concedeu uma abordagem particularmente radical e brutal ao entendimento da jihad. Apesar de criado no século passado, o Estado Islâmico (EI), como daqui em diante o denominarei, a sua brutalidade e radicalismo apenas ficaram bem demonstrados quando em novembro de 2015, uma série de acontecimentos de caráter terrorista abalaram a cidade de Paris, tornando esta rede terrorista uma das maiores ameaças à segurança internacional.

Exatamente por constituir uma ameaça à segurança internacional, tornou-se para mim imprescindível perceber o EI, mas como se pode entender uma rede terrorista se o obscurantismo é um traço marcante destas? Por mero acaso encontrei o livro “Estado Islâmico: Estado de Terror” de Jessica Stern e J. M. Berger numa FNAC, e fiquei surpreendida com a clareza e simplicidade com que estava escrita a sinopse, adquiri o livro sem pensar duas vezes, confesso que não o li imediatamente, aliás, comecei a ler e abandonei a primeira vez, comecei a ler a segunda vez e abandonei novamente, como, aliás, sempre foi habitual em mim por diversos motivos.

A minha investigação sobre ciberterrorismo e usos disruptivos do ciberespaço arrastaram-me para uma leitura obrigatória do livro, pois bem e o que achei? Em primeiro lugar, o livro tem uma abrangência histórica e um glossário extenso que, permite ao leitor um melhor entendimento das lutas seculares entre xiitas e sunitas e um aumento do léxico relativo à cultura muçulmana, respetivamente, o que se apresentam como pontos positivos. A divisão dos capítulos é outro dos pontos positivos, percebendo-se facilmente quais os critérios seguidos pelos autores; a par com estes dois pontos bastante positivos, a existência de uma bibliografia variada, bem cimentada em termos académicos, confere outro fator de recomendação para os amantes de temáticas relacionadas com redes terroristas.

No que diz respeito à minha opinião relativamente aos pontos fracos, devo destacar o facto de os autores se focarem excessivamente na comparação entre a Al-Qaeda e o EI, embora seja bastante percetível o motivo pelo qual o realizam; por outro lado, a questão da utilização das redes sociais restringe-se quase exclusivamente ao Twitter, descurando de certa forma a utilização das restantes redes sociais, nomeadamente as redes sociais alternativas (desconhecidas para a maioria da sociedade é certo), como o  Quitter, o Diaspora ou Friendica. Por outro lado, penso que teria sido igualmente interessante no capítulo referente à utilização do ciberespaço, os autores explorarem a questão dos ciberataques atribuídos ao EI, dando assim a conhecer ao leitor uma nova perspetiva relativamente ao grau de sofisticação deste grupo terrorista face a outros grupos, nomeadamente os que lhe antecedem, como a Al-Qaeda.

Em traços gerais, recomendo a leitura. Aconselho os interessados na leitura desta obra a fazerem-se acompanhar de um lápis ou caneta e, claro muitos post-it que identifiquem as partes que considerem importantes, uma vez que, ao longo do livro são realizadas diversas ligações entre capítulos.

“Os grupos terroristas são inofensivos em termos cibernéticos.” Nem tudo é o que parece, fica para ver…