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(S)em Sentido

Nem tudo o que parece é, fica para ver...

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25.Nov.18

Escândalo: A águia Vitória pediu um aumento, em causa estará o processo e-toupeira

Claudia de Almeida

 

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Fonte: https://desporto.sapo.pt/cartoon/artigos/o-escandalo

Já vos disse que não gosto de escrever sobre futebol? Certamente que sim. No entanto, diversas pessoas referiram nos comentários que seria interessante uma abordagem ao tão afamado processo e-toupeira – não podiam ter dado outro nome ao raio da investigação? – e, como os vossos desejos são ordens, tinha que refletir sobre o assunto.

Não vos maçar com os detalhes do processo porque acabaria por me perder no meio de tanta informação e (des)informação e acabaria por complicar mais do que simplificar, basicamente estamos perante um processo que compreende a alegada prática dos crimes de corrupção, recebimento indevido de vantagem, favorecimento pessoal, violação de segredo, peculato, acesso indevido, violação do dever de sigilo e falsidade informática. Agora vocês perguntam: mas Claudia se és tão apologista da justiça igual para todos independentemente de quem sejam e do cargo que ocupam porque mantiveste o silêncio até agora sobre este assunto? Muito simples: a minha área de trabalho é a criminalidade informática, logo, a minha análise poderia ser mal interpretada (e vai ser certamente).

Mas vamos ao que interessa realmente: a SAD saberia do alegado esquema montado por Paulo Gonçalves? Tenho a séria convicção que sim, caso contrário o Ministério Público não levaria a cabo a acusação. Se as sanções em relação ao Sport Lisboa e Benfica e aos restantes acusados será igual? Tenho sérias dúvidas que o desfecho seja igual para todos os envolvidos no processo, infelizmente este processo terá (eventualmente) um desfecho semelhante a todos os processos de corrupção que envolvem Indivíduos ou Organismos que possuem determinado estatuto na sociedade portuguesa: uns saem impune, outros são severamente condenados.

Vivemos em Portugal minha gente, o simples facto de um hacker ter acedido ao sistema e ter “roubado” a informação contida na caixa de correio da Instituição, pode já comprometer toda a acusação do Ministério Público, sejamos realistas. O ordenamento jurídico português relativo ao cibercrime pode até estar atrasado face ao resto do “planeta” – sei bem do que falo – mas existe e, certamente será utilizado pelos arguidos como modo de defesa, nomeadamente porque foram acedidas e difundidas informações confidenciais.

Em suma, é provavelmente mais um processo para a gaveta, tal como (quase) todos os processos que envolvem clubes de futebol, políticos e indivíduos com um estatuto social relevante.