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(S)em Sentido

Nem tudo o que parece é, fica para ver...

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15.Nov.18

Alcochete: Uma reflexão

Claudia de Almeida

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Fonte: http://www.manuelalegre.com/202000/1/000046,022010/index.htm

Devo salientar que ponderei imenso escrever esta publicação por razões diversas – escrever sobre futebol e os seus intervenientes (atuais e anteriores) é algo que num passado recente neste mesmo espaço me levou a ser “acusada” de parcialidade e de favoritismos, mas tive que o fazer. Se a detenção de Bruno de Carvalho e Nuno Mendes (Mustafá – líder da claque Juve Leo) no passado Domingo me deixou estupefacta pelos contornos das mesmas, a saída em liberdade de ambos no dia de hoje constituiu uma enorme surpresa, uma vez que, estamos perante indivíduos que estão indiciados por crimes de caráter gravoso: ameaça agravada, ofensa à integridade física qualificada, sequestro, dano com violência, detenção de arma proibida, terrorismo.

Dito isto e, não querendo alargar-me sobre a culpa ou inocência de cada um dos arguidos, porque não me cabe a mim fazer qualquer julgamento em praça pública, considero ser o momento oportuno para falar sobre o estado da justiça neste país à beira-mar plantado. Portugal é um Estado democrático que consagra na Constituição direitos, liberdades e garantias para todos, independentemente do estatuto social, ora num Estado em que se apregoa igualdade de tratamento para todos, que sentido faz cinco dos arguidos – sim cinco – do processo saírem em “liberdade” e os restantes continuarem em prisão preventiva? E que sentido faz escrever-se num comunicado que se verificam: perigos de fuga, continuação da atividade criminosa, perturbação do decurso do inquérito, etc.,mas impor-se como medidas de coação, termo de identidade e residência e as apresentações diárias nos Órgãos de Polícia Criminal das respetivas áreas de residência?

Como não me apetece bater mais no ceguinho – como quem diz no meritíssimo Dr. Juiz Carlos Delca e no Ministério Público, porque só eles saberão o porquê das medidas de coação decretadas neste processo – e como a expressão terrorismo aplicada ao que se passou no passado mês de Maio me provoca alguma urticária cá vou eu armar-me em Wikipedia. O que se passou em Alcochete é de facto terrorismo se levarmos à letra o que diz a Lei n.º 52/2003, de 22 de agosto e diversas outras definições genéricas deste vocábulo, ou seja, trata-se de um ato terrorista toda a ação que vise causar o terror a um indivíduo ou a um grupo de indivíduos.

Como é óbvio, comparar o que aconteceu na Academia de Alcochete há cerca de seis meses com o 9/11 em Nova Iorque ou com o ataque ao Bataclan em novembro de 2015 é simplesmente um grande disparate. Apesar do pânico vivenciado por jogadores, equipa técnica e eventualmente por funcionários do centro de treinos do Sporting, ao utilizarmos o termo “terrorismo” estamos a colocar no mesmo patamar atos completamente distintos e a permitir a banalização de um crime que ceifa a vida a milhares de pessoas inocentes todos os dias nos quatro cantos do mundo, e isso não devia ser sequer possível.

Ainda a procissão vai no adro meus senhores. 

 

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